_Bits with anxiety disorder

About RSS
Feb 22, 2014 | #Personal/Pessoal #avos #morte

Pensando sobre a morte

Eu perdi a minha Vó em 2013 . Foram quase 2 anos sem ir ao Brasil então resolvi ir no final do mês de setembro do ano passado e um pouco antes de eu chegar, a Dona Eva resolveu enfartar. Ela ficou uma semana no hospital se recuperando e foi quando eu cheguei, bem a tempo de ver ela.  Eu cheguei em Santa Maria em um sábado, na sexta seguinte ela faleceu.

Eu gosto de pensar sobre a morte, eu prefiro não evitar o assunto sabe? Eu prefiro encarar a realidade a achar que todo mundo vai viver pra sempre. Ninguém vai, mas isso não precisa acontecer quando você completar 5 anos de idade ou 30 ou 50, no meio do caminho. Isso se chama sacanagem. Mas a minha avó tinha 85 anos! Isso já são 8 anos acima da expectativa de vida de uma mulher brasileira e cá entre nós, a minha avó fumava e era bem acima do peso. 85 anos não é para qualquer um. Esse mundo é uma bosta e ainda assim a dona Eva soube como aproveitar bem.  Depois de ter perdido o marido, ainda concorreu a Miss Terceira Idade e voou as tranças o quanto pode e para onde dava. Eu tenho certeza que se a saúde tivesse permitido, ela tinha sido a primeira a vir me visitar na Alemanha.

Falou todos os palavrões a que tinha direito, incluindo pérolas que eu vou ensinar para o meu futuro filh@, como "dormir até o cu fazer bico". E se tu perguntasse pra ela como ela tava, ela sempre respondia sorrindo que estava bem. Nos últimos anos ela reclamava um pouco da dor na perna, e como era ruim não poder caminhar sozinha, sem ajuda. Eu já reclamei muito mais da vida aos meus 29 anos do que ela reclamou em 85 anos.

Eu entendo o motivo religioso/desespero de muitas pessoas se perguntarem "porque?", "porque ela nos deixou?", mas eu vejo a morte como um certo alivio. Como eu disse antes, esse mundo é uma bosta e considerando que ela já tinha 85 anos, veja bem, não 5, não 30, mas 85, deu né? Pra que mais? Filhos criados, vida muito bem vivida e aproveitada.

E que muitos de nós sejam que nem a minha Vó: falem muito palavrão e voem muito as tranças por aí.